Novos Tempos na Literatura

Novos Tempos na Literatura

Nestes novos tempos, de alvorada literária, num jardim onde florescem vários talentos, velha e nova geração devem caminhar de mãos dadas.

Por: João Papelo

Em todos os tempos, em todos os lugares, com todos os povos, a literatura ocupou o seu lugar, seja ela oral (alguns preferem designá-la “oratura”) ou escrita (a “literatura”). Serviu para descrever mitos, alargar a história do ser humano e reconstituir episódios, através de parábolas, lendas, provérbios, etc.

Como diria Mia Couto, “Cada Homem é uma Raça”. É   assim que a literatura, inserida nos vários contextos da vivência do homem, dá-nos a saber da história de cada um, em particular e de todos, no geral, de propósito o pleonasmo. A história reserva para cada povo e cada geração um momento dourado para a sua literatura (embora depois, na mesma geração, apareçam os críticos para fazer triagem e definir o que presta e o que não presta – usando muitas vezes critérios de conveniências pessoais).

Gosto muito da referência que Jaime Azulai faz no seu blogue, acerca deste tipo de postura. O jornalista ironiza o exercício de uma crítica literária assente no preconceito. O repórter, escreve-nos mais ou menos assim, em homenagem à sua cidade:

Que teria de mal um poema assim? Que se danem os que lhe acharem defeitos sem fim. Cassoco, Benfica, Capiandalo, Camunda, Kasseque, Massangarala.”/ Bairros pobres/ humildes/gente trabalhando/vivendo ou morrendo/ esteira de capim a servir de cama/encardida e desfeita/ cubatas de paredes de adobe”/.

Não seria um poema-cobaia para ser dissecado na mesa de autópsia dos super-escribas, entre arrotos de Whisky escocês e espirais de fumo havano (de Havana). Talvez até seja pretensão chamar-lhe poema. Mas vejo-o surfar à crista das calemas transbordantes de Março. Aprendizes de poeta escreverão poemas fraternos nas noites que nunca acabam.

E eu, continua Azulay, escreverei o meu. Esfolarei os joelhos nos degraus da ingenuidade provinciana, mas escreverei. No meu sonho-poema voarei nas asas serenas da meninice inocente. Será apenas um poema p’ra minha cidade. Um poema feito Arca de Noé, para o amor encher todos os porões e transbordar para o mar azul. Virão as ondas espalhar o amor no rendilhado cálido da praia morena, entre mil crianças a brincarem ao sol, num chilreio doido de satisfação e sem medo dos tubarões.

Está subjacente, no discurso de Azulay, o que, no parnasianismo (movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo, surgido em frança em 1850), é chamado de Arte pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e justifica-se pela sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos

Diversas agitações literárias angolanas marcaram a segunda metade do século XX, entendeu-se periodizar, registando-se cinco gerações, nomeadamente: Geração da Mensagem (1940), Geração da Cultura (1950), Geração da Guerrilha (1960), Geração do Silêncio (1970) e Geração das Incertezas (1980). Nestes novos tempos, de alvorada literária, num jardim onde florescem vários talentos, velha e nova geração devem caminhar de mãos dadas. A crítica deve apontar mais para a construção, numa visão pedagógica.

A marcha segue sem vacilar, como diria o repórter, sem medo dos tubarões.


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